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CONVIVENDO COM O ESTRESSE
Não faz muito tempo, ficar estressado até parecia coisa
de gente importante, coisa de gente que tinha muitas atribuições.
Era chique andar correndo! Não ter tempo para desperdiçar
com coisa à toa fazia parte de uma agenda cheia de compromissos.
Competitividade, consumismo exagerada, dinâmica da vida do homem
contemporâneo; aos poucos os efeitos foram se mostrando danosos
para qualidade de vida. O homem passou a viver em estado de tensão
exagerado; o famoso STRESS (em inglês).
A ampla literatura mostra que o estresse faz parte da história
do ser vivo em geral, desde os primórdios da existência.
É como o organismo se prepara para se defender do novo, pois toda
situação nova requer formas adequadas de adaptação.
Faz parte da preservação da espécie; isso que dizer
o que o estresse também traz benefícios.
O estresse passa a ser patológico quando se caracteriza pela prevalência
clinica de sintomas como irritabilidade, queda no rendimento, insônia,
sono agitado, intolerância, comprometimento da memória, dificuldade
para relaxar entre outros.
O que acontece com o corpo em situação de estresse é
que existe uma glândula logo acima de cada rim chamada supra-renal
ou adrenal, que produz um hormônio chamado adrenalina que tem como
função preparar o organismo para a defesa, fazendo com que
o sangue circule melhor no coração, cérebro, pulmões
e músculos, deixando organismo em alerta.
Quando produção de adrenalina ocorrer por um período
longo, e é o que normalmente acontece, seja por dificuldade com
o trânsito, com finanças, família, trabalho, saúde,
enfim, uma lista enorme de situações com as quais não
conseguimos lidar de forma adequada, propiciam um acúmulo de adrenalina,
sobrecarregando o organismo. O manejo inadequado dessas situações
leva o indivíduo a desenvolver outras patologias como hipertensão
arterial, psoríase, úlceras gástricas e até
depressão.
Vale lembrar que não são só situações
ruins que levam o organismo à falência. Casamento, um reencontro
muito desejado, provas que levem a uma certificação, nascimento
de um filho e até lançamento de um livro são situações
que sobrecarregam o organismo.
O que se pode fazer é mudar comportamentos; buscar reforçadores
(situações gratificantes) para a vida. Cobrar menos de si
e dos outros; o alto padrão de exigência também é
um agravante. Colocar hábitos saudáveis no cotidiano como
esporte, rever amigos, aprender um relaxamento e procurar ajuda especializada
como, por exemplo, um psicólogo e em muitos casos, um psiquiatra
para uma ajuda medicamentosa.
O que não vale é o preconceito. Deve-se assumir que está
com dificuldade e procurar ajuda, que irá melhorar com certeza,
a qualidade de vida.
Lourdes
Sola Psicóloga
Comportamental e Cognitiva Especialista pela USP
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